Embate entre trans negras e brancas marca Born to Fashion, do E!

Talent show de modelos feito no Brasil tem racha dentre participantes e já irritou Jair Bolsonaro

Publicado em 01/08/2020
Modelo Lais Ribeiro apresenta reality só de mulheres trans e travestis, o Born to Fashion
Lais Ribeiro apresenta o reality do E! Foto: Ivan Pacheco

A questão racial que domina as discussões pelo planeta não ficará de fora em Born to Fashion, talent show brasileiro do canal a cabo E! que estreia no próximo dia 13.

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Inovador, o programa é a primeira competição de modelos produzida no País apenas com mulheres trans e travestis.

Ao todo, dez competidoras, de vários Estados brasileiros, passarão por provas, semana a semana, até que seja conhecida a vencedora.

A julgar pelo episódio de estreia, ao qual nossa reportagem foi convidada a assistir em primeira mão, o debate racial pode ser um dos tópicos que mais movimentem a atração.

Dentro da ideia de "pirâmide de opressão", uma das participantes afirmou que trans e travestis brancas têm privilégios e não precisam de tantas oportunidades.

Quando uma das competidoras se anima dizendo que, afinal, qualquer que seja a vencedora, será uma trans e isso é importante para todas, a modelo e rapper Natt Maat diz: "Depende. Se for mais uma branca ganhando, não é todas, não. Eu tô cansada dessa representatividade branca."

A mesma Natt diz em outro momento: "A comunidade trans preta se sente muito excluída da comunidade trans branca".

Dentre as concorrentes esse comportamento já incomoda. Outra participante, Luana, afirmou que Natt "racializa tudo" e que desejava a saída da oponente.

A contenda vai entrar para a coleção de polêmicas da atração. Em 2019, o presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido) criticou o fato de o programa ter recebido autorização de captar R$ 3 milhões via Lei do Audiovisual.

Boa disputa
A top model Laís Ribeiro comanda o programa. A comparação com Tyra Banks, do America's Next Top Model, é inevitável, mas a brasileira não fica a dever. 

Com um repertório um pouco maior, sobretudo nos elogios (ela abusa do "maravilhosa!!"), Laís ficaria na medida. Ela tem beleza, elegância, talento e, o mais importante para uma apresentadora, carisma.

Ficam ao seu lado a estilista Lila Colzani, o fotógrafo André Veloso e a cantora trans Aline Marcone. Convidados, como Alexandre Herchcovitch, entrarão no decorrer da temporada.

Na estreia, a equipe do reality chega a 20 nomes dentre as centenas que enviaram vídeos. Da seleção presencial, saem as 10 finalistas.

Histórias de vida - muitas delas, doloridas - foram abordadas à exaustão pelos entrevistadores. Ao que pareceu, ao menos pela edição apresentada, é que elas foram levadas em conta na hora de definir as escolhidas.

No decorrer da temporada, será importante, claro, ouvir essas histórias. É imprescindível que trans e travestis tenham voz e sejam vistas em todos os espaços, inclusive no mundo da moda, tão apegado a imagens de "barbies" perfeitas. Elas chegaram para ficar.


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