Guia Gay Guia Gay Salvador

Você sabe mesmo o que é Estado laico? Evento da parada explicou

Debate integrou II Semana Fora do Armário, promovida pelo Governo da Bahia

Publicado em 14/09/2016
estado laico lgbt
O Estado ser laico não quer dizer que ele seja ateu, mas sim que respeita todos os tipos de fé

Parada LGBT é agito, é cultura, e também discussões profundas. Na sexta 9, o Rio Vermelho, conhecido pela boemia, foi lugar para debate sobre o Estado laico. 

Curta o Guia Gay Salvador no Facebook 

Para muitos, o relógio ter marcado 20h foi sinal para uma cervejinha, mas para quem estava no bar da Tropos CO., na Rua Ilhéus, a soma era uma bebida gelada e uma discussão consistente a respeito da importância da laicidade para a vida democrática. E aí, inserida a cidadania LGBT. 

Feito pela Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social, do Governo da Bahia, o evento integrou a série de atividades chamada II Semana Fora do Armário. 

A fala de abertura foi da doutora em Direito Joana Zylbersztajn, que acaba de lançar o livro A Laicidade do Estado Brasileiro. O aprendizado "descia redondo". 

Para começar, a especialista disse que na Constituição brasileira não está expresso diretamente que o País deva ser laico. Apreende-se que o Estado nacional não deve ter uma religião em detrimento de outras por série de incisos, artigos e parágrafos que determinam essa postura. Entretanto, na apresentação da Lei Máxima, é dito que ela foi feita sobre "proteção de Deus".

O Brasil ser laico significa que ele é ateu? "Não", explicou Joana. "Ser laico é não ser submetido à religião, não se guiar por dogmas religiosos, é respeitar a liberdade de fé. E mais, não é ser nem deixar de ser teísta. O Estado não crê, nem deixa de crer, ele é imparcial sobre o tema."

A palavra "imparcial" é importante, destacou a estudiosa, pois é diferente de ser neutro. "Um Estado imparcial busca e atua para o respeito a todos os tipos de fé. Ser neutro seria tê-lo desrresponsabilizado de interceder no caso de uma discriminação ou violência de cunho religioso, o que não é o caso. Portanto, não devemos usar o termo "neutro". 

Outro ponto que merece atenção no debate, explicou a doutora, é fato de o Brasil ser laico e não laicista. "Ser esse último é rejeitar a presença da religião na sociedade. Algo, que, claro, pode ser entendido como grave violação da individualidade. Proibição na França de mulheres usarem trajes islâmicos, por exemplo, é uma atitude desse campo. E fere o direito do cidadão."

E há sentido na religiões lutarem contra a laicidade do Estado? "O Brasil ter deixado de professar uma fé - no império o País era católico oficialmente - foi uma conquista de todas as religiões. E hoje no Brasil há cerca de 300! E todas elas devem ser respeitadas, valor colocado justamente pela laicidade. Protestantes foram grandes lutadores nesse sentido."

A presidente da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), Keila Simpson, e Márcio Alexandre, do Coletivo de Entidades Negras, também falaram. Ambos destacaram o quanto tem havido discriminação de fundo religioso tanto contra LGBT quanto contra fés de matriz africana. 


Guiya EditoraGuia Gay Guia Gay São PauloGuia Gay Guia Gay BrasiliaGuia Gay Guia Gay BHGuia Gay Guia Gay Floripa
Parceiros:Lisbon Gay Circuit Porto Gay Circuit
© Todos direitos reservados à Guiya Editora. Vedada a reprodução e/ou publicação parcial ou integral do conteúdo de qualquer área do site sem autorização.