Dia da Mentira: saiba a verdade sobre 8 'lendas urbanas' gays

Pegação em bastidores de novela, vingança e romance para encobrir caso são rumores que rolam até hoje

Publicado em 01/04/2026
8 lendas urbanas gays
Leonardo Vieira, Junior Lima e Rodrigo Simas foram envolvidos em boatos

História de caráter sensacionalista com elementos de mistério, amplamente divulgada por boatos ou pela imprensa e que constitui um tipo de folclore moderno. Esta é a definição de lenda urbana.

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Ainda que talvez não cumpram todos os requisitos acima, relatos e "causos" sobre supostos relacionamentos gays de famosos fazem o "vale" também ter boatos que não cessam.

No dia da mentira, veja 8 casos que, mesmo em sua maioria desmentidos, continuam a ter reverberação e provocar fofocas.

1. Gianecchini tinha caso com Theo Cochrane

8 lendas urbanas gays: Reynaldo Gianecchini e Theodoro Cochrane

Uma das lendas mais famosas dizia (ou diz até hoje) que Reynaldo Gianecchini namorava Marília Gabriela de fachada. O falso romance existiria para encobrir relacionamento dele com o filho dela, o também ator e figurinista Theodoro Cochrane.

Com uma dose de preconceito - já que se supunha que Giane era novo e bonito de mais para a jornalista -, os rumores se espalharam por anos.

Quando o casal terminou em 2006, após oito anos juntos, passaram a pipocar histórias de que um "amigo" ou um "primo" viu o ator em tal balada gay do Rio ou São Paulo, o que consolidava a narrativa estabelecida.

Até que nessa década Giane se assumiu bissexual e Theo, que é gay, passou a falar abertamente o tema.

"Virou fetiche nacional", definiu Theo em entrevista ao UOL, em 2024, dizendo que ainda hoje as pessoas acreditam nessa história fantasiosa.

2. Junior Lima é gay

8 lendas urbanas gays: Junior Lima

Quase tão antiga quanto a carreira do ex-Sandy & Junior é o boato de que ele é gay.

O músico, hoje com 41 anos, começou a cantar ainda criança ao lado da irmã. Durante sua adolescência, o público já dava como certo que Junior gostava de meninos.

Fato é que desde a adolescência e depois já na maioridade, Junior era um dos artistas mais desejados pelos gays. Seu estilo "twink" e o rosto perfeito, o fazia ser um dos nomes mais citados nas rodas de conversa quando se perguntava "com qual famoso você gostaria de ir para a cama?".

Ou seja, ele era visto como gay por héteros que o achavam sensível demais e por homossexuais por o desejarem.

Casado há 12 anos e com dois filhos, o artista é muito bem resolvido e não se nega a abordar o tema.

Junior diz que mesmo sendo heterossexual sofreu e ainda lida com a homofobia.

"Isso me atrapalha até hoje na minha profissão. Tem gente que tem preconceito comigo até hoje. Eu sou um homem hétero que frequentemente sofre com homofobia. É muito louco falar isso, mas é real", disse, ao Saia Justa, em 2025.

3. Raí e Zeca Camargo 

8 lendas urbanas gays: Raí e Zeca Camargo

Esse caso parou na Justiça. Os boatos começaram por meio da colunista do R7 Fabíola Reipert que publicou, em 2012, que "um belo ex-jogador de futebol teria deixado a mulher em troca de um novo amor. Ele foi morar com um apresentador da Globo, que ainda não saiu publicamente do armário”.

Até aí, há diversos ex-atletas e apresentadores não assumidos e seria difícil saber sobre quem ela falava.

Mas o público passou a acreditar que se tratava de Raí e Zeca Camargo quando a jornalista escreveu, dias depois, que a TV Globo teria proibido em seus programas que se associasse os nomes de ambos.

"O que será que eles têm pra esconder, hein? E o que têm em comum?", alfinetou Fabíola.

Raí abriu processo contra a jornalista e o portal, que foram condenados a pagar indenização de R$ 72,4 mil em decisão de 2014.

No mesmo ano de 2012, Zeca falou a um repórter que não comentava boatos.

Já Raí, no seguinte, abordou o assunto diretamente. "Não fico saindo com mulher para afirmar que sou homem, acho que isso só alimenta um preconceito", disse ao portal Terra.

"Não tenho problema nenhum, tenho minha vida, tenho as pessoas que eu construí minha vida, e isso é o que me importa. Do resto, só não quero que falem mentira. Não existe polêmica nenhuma, existe uma fofoca que as pessoas gostam de ficar compartilhando. Se um dia eu pensar e quiser mudar, não tenho problema nenhum em assumir."

4. Falabella teria prejudicado Leonardo Vieira

8 lendas urbanas gays: Leonardo Vieira e Miguel Falabella

Esta história está dentre as menos documentadas. Espalha-se por muitos anos que Miguel Falabella e Leonardo Vieira teriam tido relacionamento. 

O final, no entanto, não teria sido bom e Falabella, para se vingar, teria mexido os pauzinhos para que o ator não aparecesse mais nas novelas na TV Globo.

De carreira meteórica, Leonardo Vieira estreou como protagonista na primeira fase de Renascer (1993) e emendou, no mesmo ano, o mocinho de Sonho Meu, e em 1994, um papel cômico em Quatro por Quatro.

A narrativa se alastrou porque o ator sumiu das novelas em 1995, algo incomum para alguém bonito e talentoso.

Iniciantes, com essas características, sejam homens ou mulheres, costumam ser colocados em uma produção atrás da outra na emissora durante sua primeira década de carreira.

Leo retornou às telas só em 1998 no fracasso Brida (da extinta TV Manchete) e voltou à Globo em 1999 num papel menor em Suave Veneno.

Sua carreira na emissora nunca decolou como se esperava, o que alimentou os boatos de que o motivo estava nos bastidores do canal.

É curioso, no entanto, que a história envolva justamente Falabella, conhecido por apoiar todos que estão à sua volta. 

É sabido que ele ajuda financeiramente funcionários e famílias de funcionários, além de sempre escalar talentos que estão sem trabalho há anos para atuar em suas novelas.

5. Marco Pigossi de pegação com Rodrigo Simas

8 lendas urbanas gays: Marco Pigossi e Rodrigo Simas

Marco Pigossi e Rodrigo Simas eram dois talentos em ascenção quando foram escalados para Fina Estampa (2011), de Aguinaldo Silva.

Sites de fofocas começaram a espalhar que dois atores da novela se pegavam nos bastidores.

Uma década depois, Pigossi se assumiu gay e Simas, bissexual, o que faz com que a história ainda seja alimentada,

Pigossi já falou sobre o assunto e disse que os boatos lhe fizeram muito mal, incluindo ter vômitos.

"Quando desembarquei no aeroporto, abri meu celular e li uma notícia: que eu estava tendo relacionamento com um ator da mesma novela. Era mentira absoluta. Chegava a dizer que nós nos 'pegávamos' nos bastidores. Era tudo invenção, mas as pessoas acreditam no que querem acreditar. Eu fiquei travado ao ler aquilo", falou à revista Piauí, em 2022.

"Comecei a tremer e suar. Fui para o banheiro do aeroporto, me tranquei em uma cabine e comecei a vomitar. Liguei para meu parceiro, chorando. Eu dizia para mim mesmo que minha carreira tinha acabado. Não conseguia sair dali. Meu companheiro teve que pegar um voo de São Paulo ao Rio para me buscar. Fiquei horas trancado dentro da cabine, até ele chegar. A crise me deixou com sequelas. Passei a tomar antidepressivos e ansiolíticos. O pânico de sair do armário contra minha própria vontade ficou ainda maior", recordou.

6. Ayrton Senna era gay enrustido

8 lendas urbanas gays: Ayrton Senna

Essa mentira tem nome e sobrenome. Tudo teria começado, segundo a biografia do narrador Galvão Bueno, Fala, Galvão! (2015), por embate entre Ayrton Senna e Nelson Piquet.

Em 1988, Piquet já era tricampeão da Fórmula 1, mas Senna era o preferido dos jornalistas por ser mais acessível.

O repórter Sérgio Rodrigues, do Jornal do Brasil, comentou com Senna: “Você deu uma sumida”. O piloto respondeu: “Bota aí que eu sumi para dar espaço para o Piquet. Afinal, não faz sentido o cara ser tricampeão e eu continuar sendo assunto. Já que ninguém gosta muito dele, o único jeito era eu sumir pra que ele pudesse aparecer um pouco. Eu não tenho nenhum título e todo mundo só fala de mim”.

Senna teria dito para Galvão, que dividia o mesmo carro com ele: “Caprichei nessa, hein, Papagaio?”, e ouviu de Galvão: “Você acabou de se dar mal, acabou de se meter em encrenca”.

Quando o jornal colocou a manchete “Senna diz que sumiu para Piquet aparecer”, um repórter foi ouvir o que veterano tinha a declarar. E veio o petardo: "Ah é, ele falou isso? Então, vai perguntar pra ele por que ele não gosta de mulher”.

A fama de que Senna saía com mulheres para encobrir suposta homossexualidade começou nesse momento e chegou aos jornais europeus. O caso parou na Justiça, mas Piquet nunca se retratou.

A chama dos boatos aumentou quando Senna iniciou romance com Xuxa, que também era alvo de fofocas por supostamente manter caso secreto com sua diretora e empresária Marlene Mattos.

Parte do público acreditou que os dois tinham relacionamento midiático para esconder os supostos relacionamentos homossexuais.

7. Gugu Liberato x Marcelo Augusto x Luciano

8 lendas urbanas gays: Gugu Liberato, Marcelo Augusto e Luciano Camargo

O fato de Gugu Liberato escalar homens bonitos e sexy para seus programas não passava despercebido por parte do público, que, mesmo com bom entendimento sobre os bastidores, criava ficções.

No começo dos anos 1990, o cantor Marcelo Augusto, mesmo ignorado pelas rádios, tinha presença garantida nas atrações comandadas por Gugu.

A homossexualidade do apresentador era uma dúvida. A beleza de Marcelo, uma certeza. Comentava-se que ele namoravam e até que viviam juntos.

Quase ao mesmo tempo, no entanto, Luciano, que fazia dupla com seu irmão, Zezé di Camargo, também teve seu nome ligado a Gugu.

A dupla sertaneja fazia sucesso em todo o Brasil, comparecia a inúmeros programas, mas era com Gugu que parte do público cismava.

Espalhava-se que Gugu e Luciano namoravam ou até que o apresentador havia trocado Marcelo pelo sertanejo. Trisal, na época, não estava na moda, senão é provável que tivessem aventado o nome para o suposto relacionamento a três.

Luciano teve quatro filhos de seus dois casamentos. Na última década, sua primeira mulher, Cleo Loyola, passou a dar declarações sensacionalistas, incluindo a de o sertanejo era gay. Ele a processou.

Gugu foi tirado do armário após sua morte, em 2019. Um ano antes, Marcelo Augusto assumiu-se gay e passou a compartilhar momentos com seu marido. Ele sempre foi discreto sobre sua relação com Gugu.

Em 2021, a apresentadora Mamma Bruschetta afirmou a um podcast que Gugu e Marcelo foram namorados.

8. Milton Nascimento e River Phoenix

8 lendas urbanas gays: River Phoenix e Milton Nascimento

River Phoenix estava no auge da carreira quando se tornou tema de canção de Milton Nascimento, o que o fez vir para o Brasil e virarem amigos.

A história começou quando Milton estava em turnê em Nova York, em 1988, e viu na TV um filme com Phoenix.

Ele teria ficado tão impressionado com o ator, ainda adolescente, que escreveu uma carta para ele e depois a transformou em uma canção, Carta a um Jovem Ator.

Como Phoenix era menor de idade, Milton teria procurado a família do estadunidense para pedir autorização para incluir a música em seu álbum.

Alguns dos versos dizem: "Se um dia a gente se encontrar / E eu confessar / Que vi um filme tantas vezes / Para desvendar os olhos teus / E se a gente se falar / Contar as coisas que viveu / O que esperamos do amanhã / Será que pode acontecer? / Pois, paralelo ao personagem / eu quis saber mesmo é de ti".

A família autorizou o lançamento e Milton e RIver se tornaram amigos e se encontraram várias vezes nos Estados Unidos. 

Em 1992, o brasileiro convidou River, que era ativista ambiental, para a Eco 92 (Confererência das Nações Unidas para o Meio Ambiente), realizada no Rio de Janeiro. O artista veio com a família e passou um mês no Brasil, mais precisamente no sítio do cantor.

O ator faleceu, aos 23 anos, em 1993, por overdose de drogas. Em todo o percurso da relação de ambos, nada houve de mais concreto sobre um amor real. Assim, o suposto "affair" dos dois e a paixão platônica de Milton por ele se tornaram em duas da mais longevas lendas urbanas gays do País.


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