Não foi bem aceito o elogio do Grupo Gay da Bahia (GGB) à cantora Claudia Leitte pela performance dela no carnaval 2026. As críticas foram tantas que a entidade viu nessidade de publicar nota de esclarecimento.
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Em 28 de fevereiro, a ONG destacou as atuações da baiana e do grupo San, de Salvador, na folia soteropolitana. San é a empresa de eventos gays responsável por um dos bloco em que a cantora se apresentou, o Blow Out.
"Parabéns, Claudia Leitte e Grupo San Sebastian pelo incrível trabalho no carnaval de Salvador 2026. Vocês são ingredientes importantes para essa receita de sucesso que é o carnaval de Salvador. Os blocos Largadinho e Blow Out ajudam a consolidar essa “nova estética” do Carnaval de formas complementares. Assim, Salvador não apenas mantém seu status de capital do Estado da Bahia, [torna-se] epicentro onde o protagonismo cultural e social da comunidade LGBTQIAP+ é vivido em sua plenitude", disse o GGB no Instagram.
Largadinho é o bloco produzido pela própria Claudia Leitte.
A recepção das pessoas na internet foi significativamente negativa. Dentre outros comentários, foi lembrada a ausência de elogios à cantora Daniela Mercury, que é lésbica - Claudia é hétero -, e o fato de a loira já ter dito que não gostaria de ter filho gay.
Abaixo, alguns comentários:
"Que nova consciência seria essa, Grupo Gay da Bahia? O que mudou de fato na estrutura social? Sobretudo em relação a nós, pessoas LGBTQIAPN+? Estamos menos exposto a violência e discriminação de alguma forma?"
"Alguém deve ter hackeado o perfil do Grupo Gay da Bahia, só pode!"
"Agradecer a CL por agregar com a comunidade LGBT+ é o mesmo que agradecer a Malafaia por difundir o Cristianismo."
"Nos poupe viu! Vocês deveriam apagar essa postagem. Uma pessoa que só quer ganhar dinheiro das yags, que tá nem aí para a comunidade LGBTQIA+ e que disse abertamente que nunca queria ter um filho yag, mas vocês dão visibilidade para isso?"
"Você vê que a gente está perdido quando até quem deveria nos proteger se alia com quem quer nos exterminar. Há anos não vejo uma atitude tão incoerente quanto a do Grupo Gay da Bahia. Perdeu a credibilidade!"
Outras pessoas, fizeram parte do coro de elogios.
"Claudia é nossa querida. Escolhida justamente por cantar música pra gente e acreditar que todo espaço é nosso!"
"Um povo que prega desconstrução ainda persegue a mulher por uma fala do marido há mais de 15 anos, e é assim que quer que a sociedade evolua! Que preguiça de militante!"
"A melhor puxadora de trio. A que esgota abadás. A que inova em trios. Venha Blow Out e Largadinho 2027."
No dia seguinte, o Grupo Gay da Bahia, a entidade ativista arco-íris a mais tempo em atuação na América Latina, desde 1980, publicou nota de esclarecimento.
É trecho do texto:
"O foco exclusivo da publicação foi o impacto e a importância da presença LGBTQIAP+ na folia, além da relevância dos blocos mencionados. A instituição mantém sua postura crítica, histórica e inabalável no combate à LGBTfobia e reforça seu compromisso com o diálogo contínuo com a comunidade."
No geral, as pessoas continaram reprovar a postura do GGB.
"Para falar de blocos que têm públicos LGBT, temos que falar do Vale, com Alinne Rosa; Daniela Mercury, com Crocodilo; Ivete Sangalo, com o Coruja. Agora agradecer a só um bloco e a uma cantora, não acho correto."