Entidades brasileiras se opõem ao uso do termo queer

Fala confronta diretamente posição de grupo de coletivo cultural

Publicado em 08/09/2021
queer sigla
Apagamento de identidades e inexistência de luta coletiva queer no Brasil foram os argumentos. Foto: Depositphotos

Duas entidades ativistas LGBT brasileiras se posicionaram em desfavor do uso do termo queer na luta arco-íris. 

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Em textos abertos, a ONG Somos, de Porto Alegre e uma das mais antigas LGBT no País, colocou-se contra tanto a inclusão da sigla Q no acrônimo que nomeia o ativismo quanto como palavra generalizante. 

Ao defender o uso da sigla LGBTI+, o coletivo falou de porquê não incluir de forma expressa o Q.

"A letra Q, que indica a palavra "queer", contém um paradoxo importante que justifica, para nós, com que não seja incluída na sigla. Queer é uma palavra que é importada para o contexto brasileiro como um movimento teórico e político de contestação identitária, cujo interesse é justamente o de questionar a identidade como algo fixo dos sujeitos."

A entidade afirma que isso não impede que uma pessoa se nomeie como tal, mas que, pela trajetória histórica nacional ativista, não há razão para o Q ser citado. 

Em outro texto, intitulado "Queer não é uma identidade coletiva no Brasil", a entidade citou e concordou com a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) no rechaço a chamar toda comunidade LGBT de queer. 

"Queer não é uma identidade coletiva no Brasil e também não pode ser utilizado como termo guarda-chuva para definir as populações LGBTI+ no nosso país contemporâneo, como disse a Antra, com a qual concordamos profundamente."

Recentemente, a entidade trans afirmou que querer resumir toda a diversidade LGBT no termo generalizante queer seria apagar histórias de luta e pluralidade de corpos. 

A ONG Somos termina a defesa com posição a respeito de quem poderia debater o assunto. 

"É tarefa dos movimentos sociais fazerem o debate coletivo e representativo sobre o que significa essa palavra hoje. São eles que estão no trabalho de ponta atendendo pessoas da nossa população vítimas de violência, em situação de rua, insegurança alimentar e desprotegidas socialmente."

A fala é frontalmente oposta à do coletivo artístico internacional Ssex BBox, que defendeu recentemente a utilização de queer como termo guarda-chuva e o uso da sigla LGBTQIA+ (veja abaixo).

As postagens do Somos e do Ssex Bbox sobre queer como palavra generalizante foram feitas em 31 de julho. 

ssex bbox

 

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